sábado, 26 de novembro de 2011

Uma segunda-feira mais ou menos fria

O animal que sobe pela coluna vertebral me lembra a vontade de adiantar o tempo, fazer passarem 5 dias em no máximo meia hora, de olhos fechados; não sei porque.
Enquanto a água caía, eu pensava nos ok's que aprendi a dar nas obrigações cumpridas durante o dia, na agenda, pensava em minha falta sentida ou não em duas ou três (ou todas) as obrigações diárias, pensava em como quero estar invisível, ausente, deitada, triste, por um tempo suficientemente longo, até que sentisse dor no corpo.
Ando pensando, de cabeça baixa, pensando no que poderia fazer e que, por algum motivo, não faço, não consigo, não falo, ou falo demais (falo até estragar todo o momento com apenas algumas frases). Todos conseguem ver o momento, menos eu; queria poder ficar em silêncio por mais tempo, ficar em silêncio durante 23 horas por dia, ficar em silêncio.
"- E agora srta. Perversa, como volto atrás em tudo? Ou como vou para frente em nada?"
"- Agora é fechar os olhos, controlar as dores e esperar por uma terça-feira mais fria."


Um comentário:

Carolina Moreira disse...

"é para você que escrevo, hipócrita."

achei tão belo isso aqui, uma sensação tão nova - apesar do ciúme que senti por ver outro âmago partilhando da mesma paixão -. tua palavra tem um cheiro de girassol que faz muito tempo que não sinto, um gosto refinado, vinho, boldo. ela toca, impulsiona, pelo pouco que li. leva para um mundo utópico e cheio de linhas tortas, versos pela metade, talvez seja teu mundo.

descreve o lápis, escreve com o lápis, recorta as fotografia, mas:

"- agora é fechar os olhos, controlar as dores e esperar por uma terça-feira mais fria."


só para não ser demasiada exagerada.
lindo, lindo.